Em setembro, Porto de Galinhas será sede das Jornadas de Direito Processual, e estarei lá, como estive em muitas outras. Mas esse ano é diferente.

Ir ou não ir às Jornadas de Direito Processual, eis a questão!

Em setembro, Porto de Galinhas será sede das Jornadas de Direito Processual, e estarei lá, como estive em muitas outras. Mas esse ano é diferente.

Confesso que relutei: pensei no dinheiro a ser gasto, no tempo de trabalho consumido, na vontade de grudar na minha mãe e não soltar mais (estaria no Brasil de qualquer forma), nos milhares de eventos processuais que já fui desde que surgiu esse novo CPC, mas não adiantou: são as Jornadas, e ainda que não fossem, esse ano é diferente.

Além de ser o maior evento processual do Brasil, que só acontece de dois em dois anos, esse ano seremos sede das Jornadas Iberoamericanas, o que me remete a lembranças das minhas primeiras Jornadas.

Quando ainda estava na faculdade, as Jornadas foram um meio de dar cara e voz aos livros que lia. Lembro de me surpreender com as feições de Cândido Rangel Dinamarco – com seu corpo miúdo, apesar de sempre o ter imaginado grande e parrudo – e me maravilhar com o linguajar informal da Ada Pellegrini Grinover.

Essa mesma sensação terei agora, ao ver pela primeira vez palestra com alguns dos grandes nomes internacionais.

Não pense você que foi fácil frequentar eventos desse nível no inicio. Por vezes entrei e saí sem entender uma vírgula do que diziam, só que não foi em vão. De tempos em tempos me vi relembrando trechos dessas palestras, e compreendendo – como num estalo – o que o sujeito queria dizer. São afirmações que demandam maturação do pensamento, que nos colocam pra refletir.

Isso é fundamental. Para exercer o Direito, não basta ler a lei e consultar a jurisprudência. Das reflexões que surgem as teses que mudam radicalmente o entendimento de um Tribunal, e renovam o Direito; e ambientes como esse promovem reflexões coletivas. Não é o mesmo que abrir um livro e entender o que o autor defende; é assistir de camarote ao diálogo entre grandes pensadores que divergem sobre um tema, e absorver – em tempo real – os vários lados de cada posição doutrinária.

Digo absorver, porque compreender demanda reflexão e uma base de conhecimento. Mas a beleza do Direito Processual está justamente na possibilidade de qualquer um ser capaz de identificar uma fragilidade do sistema, e pensar em soluções. É possível que não consiga atingir à solução – de fato –, mas a pulga atrás da orelha estará lá. É justamente por isso que ensino processo, para que todos os operadores do Direito tenham em mente que não estão em uma ciência exata e estática. O que é tido como certo hoje, pode ser renovado a qualquer tempo, e por qualquer um. Até por você.

Portanto, permita-se a reflexão, até do que parece óbvio.

 


As Jornadas de Direito Processual ocorrerão em Porto de Galinhas, de 14 a 16 de setembro. Inscrições pelo site: www.jornadasibdp.com.br

 


NOVO: Já conhece as vídeo-aulas? Acesse aqui e aprenda sobre o novo CPC de forma leve e descontraída.

Como já sabem, vou seguir com publicações frequentes aqui no site, e em minha página do Facebook, e além da coluna no JusBrasil. Me acompanhe e fique por dentro das novidades do Processo Civil.

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